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Siluro no rio Ebro: a invasão iniciada em 1974

Peixe-gato grande e pequenos peixes nadando no rio com ponte e casas ao fundo, vista meio submersa.
Neste artigo
  1. De que forma chegou o siluro ao rio Ebro em 1974?
  2. Porque se disseminou o siluro tão depressa?
  3. O que faz do siluro um “titã de água doce”?
  4. Que danos provoca o siluro na fauna autóctone?
  5. Porque se tornou tão difícil controlar a invasão?

O siluro, da espécie Silurus glanis, foi introduzido intencionalmente na bacia do rio Ebro em 1974, onde encontrou condições propícias à reprodução. Cinco décadas mais tarde, este grande predador está presente em rios e albufeiras espanholas, modificando as cadeias alimentares e colocando em risco peixes, invertebrados e outros animais autóctones.

De que forma chegou o siluro ao rio Ebro em 1974?

A introdução é associada ao biólogo e pescador alemão Roland Lorkowsky, que transportou juvenis da região do Danúbio para a bacia do Ebro, com a intenção de criar um novo atractivo para a pesca desportiva. O relato da chegada ao reservatório de Mequinenza refere milhares de alevins.

Contudo, não existe consenso quanto ao número inicial. Registos técnicos e estudos sobre a propagação da espécie indicam que foram introduzidos 32 juvenis no rio Segre, que integra a bacia do Ebro. Apesar desta discrepância, os aspectos essenciais do episódio são consensuais:

  • A introdução foi deliberada e ocorreu em 1974;
  • Os peixes vieram da região do Danúbio;
  • A finalidade estava relacionada com a pesca desportiva;
  • Transferências posteriores contribuíram para alargar a distribuição;
  • A espécie chegou a albufeiras e rios ligados ao Ebro.

Porque se disseminou o siluro tão depressa?

O Silurus glanis adapta-se a águas profundas, turvas e pobres em oxigénio, condições presentes em muitas albufeiras e em troços fluviais de corrente lenta. Depois de se instalar, dispersa-se através de cursos de água interligados, enquanto as transferências ilegais para novos locais de pesca aceleram a sua expansão para outras bacias hidrográficas.

O que faz do siluro um “titã de água doce”?

Reconhecido como o maior peixe de água doce da Europa, o siluro pode alcançar cerca de 2,5 metros e pesar mais de 100 quilos. O corpo comprido, a boca ampla e os barbilhos sensoriais permitem-lhe encontrar alimento mesmo em águas barrentas ou com pouca luminosidade.

A dieta varia à medida que cresce. Os indivíduos jovens alimentam-se de plâncton e invertebrados, mas os adultos começam a capturar presas de maior dimensão, sobretudo ao anoitecer e durante a noite. A sua alimentação pode incluir:

  • Peixes de vários tamanhos;
  • Crustáceos e outros invertebrados aquáticos;
  • Anfíbios junto às margens;
  • Aves aquáticas, capturadas ocasionalmente;
  • Pequenos mamíferos que se aproximam da água.

Que danos provoca o siluro na fauna autóctone?

Enquanto espécie invasora, o siluro assume o papel de grande predador em ecossistemas que não evoluíram na sua presença. A pressão exercida sobre peixes e macroinvertebrados altera a composição das comunidades aquáticas, intensifica a competição por alimento e pode piorar a situação de espécies autóctones já afectadas por barragens, poluição e perda de habitat.

Porque se tornou tão difícil controlar a invasão?

A remoção é difícil em rios longos e albufeiras interligadas, porque os exemplares que permanecem escondidos em zonas profundas podem voltar a ocupar os troços intervencionados. O seu grande porte, a reprodução eficaz e a dificuldade em identificar populações reduzidas também tornam menos provável a erradicação total depois de a espécie se estabelecer.

Evitar novas introduções passou a ser a principal medida para proteger a biodiversidade dos rios espanhóis. Entre as acções previstas estão impedir o transporte de exemplares vivos, fiscalizar libertações ilegais, vigiar novas zonas e remover peixes nos locais com elevada densidade. O caso iniciado em 1974 evidencia como a libertação de poucos animais fora da sua área de distribuição natural pode transformar uma bacia hidrográfica durante décadas.

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Marta Filipa Correia

Marta Filipa Correia é engenheira agrónoma e investigadora em sistemas agroflorestais mediterrânicos, com especialização no cultivo e valorização da maquiave. Dedica-se ao estudo da ecologia da planta, boas práticas de colheita e transformação tradicional, bem como ao seu potencial gastronómico e sustentável. É também autora de conteúdos sobre biodiversidade rural e usos etnobotânicos associados à maquiave.

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